Mulheres pardas são duplamente desfavorecidas na corrida eleitoral de 2026, aponta estudo da Transparência Brasil

Homens brancos, 20,4% da população, somam 33,5% das candidaturas a deputado e recebem 40,5% dos recursos públicos de campanha
Data de publicação
28/09/2026

Mulheres pardas estão duplamente desfavorecidas na disputa pelas vagas de deputado federal, estadual e distrital em 2026, segundo análise da Transparência Brasil divulgada neste sábado (26.set.2026) na segunda edição do boletim “Caixa de Campanha”. Esse grupo tem candidaturas sub-representadas em relação à sua proporção na população e recebe menor parcela de recursos públicos de campanha do que no total de candidatos. O levantamento foi realizado a partir de dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atualizados até 22.set.2026.

Mulheres pardas formam o grupo mais sub-representado na corrida eleitoral: são 22,7% da população, apenas 12,2% das candidaturas e receberam apenas 10,5% dos recursos públicos financeiros — isso significa que foram distribuídos R$ 67 milhões a menos do que a sua representatividade entre os candidatos.

Homens brancos são duplamente favorecidos. Eles são 20,4% da população, mas representam 33,5% das candidaturas e receberam 40,5% dos recursos públicos, o que corresponde a R$ 289,1 milhões de sobrefinanciamento. 

Mulheres brancas estão sub-representadas nas candidaturas (16,7% em relação à sua proporção na população), mas receberam sobrefinanciamento (20,7% dos recursos públicos) de R$ 162,1 milhões.

Homens pretos (7,4% das candidaturas) e pardos (22,6%) são os grupos com maior subfinanciamento proporcional: receberam, respectivamente, 3,9% e 17,5% dos recursos públicos, o que equivale a R$ 141,4 milhões e R$ 209,6 milhões a menos. Ao contrário das mulheres pardas, esses grupos não apresentam sub-representação nas candidaturas em relação à população.

Nas eleições gerais de 2026, os partidos são obrigados a destinar recursos públicos de maneira proporcional às candidaturas de mulheres e de pessoas indígenas e a reservar ao menos 30% dos recursos a candidaturas de pessoas negras (pretas e pardas). Contudo, a cota mínima de 30% de candidaturas femininas vale apenas para as candidaturas proporcionais, e a cota de distribuição de recursos não se restringe aos cargos proporcionais. Além disso, os partidos têm autonomia para distribuir os recursos conforme suas estratégias e interesses. Assim, o “subfinanciamento” verificado para certos grupos não implica, necessariamente, o descumprimento das normas eleitorais pelos partidos.

Diferenças entre partidos

Candidatos e candidatas pretos e pardos são subfinanciados na maioria dos partidos. Dos 26 partidos que declararam distribuição de recursos públicos até 22.set.2026:

  •  23 subfinanciaram homens pretos e 22 homens pardos;
  • 19 subfinanciaram mulheres pretas e 16, mulheres pardas.

A análise por partido usa um índice de proporcionalidade adaptado do estudo “Quem ganha mais” (Mardegan et al., FGV Direito SP, 2026), que compara o percentual de recursos recebidos por cada grupo com o seu percentual no total de candidaturas.

Caixa de Campanha

O “Caixa de Campanha” acompanha a desigualdade no financiamento de candidaturas proporcionais nas eleições gerais de 2026. Ele é um produto do programa Transparência Partidária, da Transparência Brasil, apoiado pelo Instituto Galo da Manhã. 

O primeiro boletim foi lançado na terça-feira (22.set), com dados atualizados até 15.set.2026, e comparou o percentual de recursos recebidos por cada grupo com a sua participação no total de candidaturas. As candidaturas não brancas (negros, indígenas e amarelos) a deputado federal, estadual e distrital representam 49,8% dos candidatos, mas receberam 39,6% dos recursos públicos repassados pelos partidos. Proporcionalmente, deixaram de receber R$ 394 milhões na ocasião.

O segundo boletim detalha o financiamento de cada grupo. Do total de R$ 4,5 bilhões em recursos financeiros declarados até 22.set.2026 por candidaturas proporcionais, R$ 4,1 bilhões (91%) são recursos públicos, e R$ 3,8 bilhões vêm do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). 

Em relação ao boletim anterior, as candidaturas apresentaram mais financiamento privado, e a participação dos recursos públicos no total das receitas caiu 1,8 ponto percentual. Mesmo assim, os recursos públicos continuam sendo a principal fonte de financiamento das campanhas.

O boletim pode ser acessado neste link.

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